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Thiago Melo cantando ao violão no palco

O Artista

Quando eu cheguei, a música já estava na sala.

Thiago Melo — cantor, produtor e multi-instrumentista. Esta é a história por trás do som.

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Santo André·São Paulo·desde sempre, música
Role
O olhar · a convicção

A música me atravessa desde antes de eu saber o que ela era.

Tenho 39 anos e faço música, de forma profissional, há mais de duas décadas — sem contar as bandas de garagem da adolescência. Foram quase dez anos mergulhado em banda, rock e palco, e outra década inteira dentro do sertanejo: estúdio, grandes eventos, direção artística. Pode parecer um salto estranho — do rock ao sertanejo —, mas é a linha mais reta da minha vida.

Vivemos um tempo em que quase tudo é feito para prender a atenção por um segundo. Eu escolhi o oposto: canções com intenção, que fazem alguém parar, sentir e lembrar. É o que sei fazer, e é o que me move.


Num tempo que premia quem grita mais alto, escolhi cantar para quem ainda quer sentir.

Thiago Melo ao violão no estúdio, sob a luz de um abajur

Antes de ser qualquer coisa, fui ouvinte.

01 As raízes

Venho de três raízes que me formaram.

Uma me deu o coração. Outra, o ouvido. A terceira me deu o lugar de onde falo. Juntas, elas explicam o jeito como faço sertanejo.

↳ A casa cheia de música — o piano e o violão de família · do acervo pessoal

Raiz afetiva · nasci dentro da música

A música nunca foi visita lá em casa

Cresci numa família onde música era rotina. Quando eu nasci, o piano já estava na sala — o avô o trouxe para casa. E a música vinha de todos os lados: ele tocava sanfona e trombone, meus pais tocavam na igreja, uma tia era pianista e, entre os tios, um deles vivia com a guitarra na mão — foi vendo ele tocar que a minha vontade nasceu. Fui cercado de som antes mesmo de entender o que aquilo era.

Nas férias, ia para a chácara do meu avô, em Araçoiaba da Serra: a terra, a vitrola, os discos de modão dele — Milionário & José Rico, e tantos outros. Em casa, era a minha mãe quem me levava à feira, e a gente escolhia junto as fitas do sertanejo dos anos 90 — Leandro & Leonardo, Chitãozinho & Xororó. Eu ouvia sem ainda saber o tamanho daquilo — foi esse sertanejo que criou a minha base afetiva, e a paixão pela sanfona que me acompanha até hoje.

Raiz musical · o ouvido

Do violão aos doze às primeiras bandas

Todos os meus tios amavam música, cada um do seu jeito — e cada um formou um pedaço do meu ouvido. Um deles, músico, tinha as suas bandas: cresci vendo ele tocar, e foi quem me passou os Beatles. Outro me abriu o Dire Straits, que virou obsessão. Uma tia trabalhava numa gravadora e vivia me trazendo disco — sertanejo, Daniel, as novelas do SBT —, e em casa era tudo junto: o vinil, o CD de rock nacional, os Titãs. Eu ouvia os discos inteiros, com uma fome de saber que poucos da minha idade tinham.

Quando peguei o violão, por volta dos doze, eu já queria tocar tudo o que conhecia por eles. Aos catorze, essa tia me levou ao meu primeiro show — Maurício Manieri, no Palácio: aquela produção, aquele palco, deixaram claro o que eu queria da vida. Aos quinze veio a guitarra e o rock, e com ele as primeiras bandas — de garagem, amadoras —, onde eu já era quem montava o repertório, cuidava do ensaio, ouvia cada detalhe.

↳ Os anos de formação — do violão de casa ao primeiro rock

↳ A verdade urbana — o estilo que carrego até hoje

O lugar de onde falo

Nasci no meio dos prédios — e isso importa

Cresci na cidade, e é dela que eu canto. Honro a raiz caipira do gênero, mas a minha verdade é urbana — feita de rock, de pop, de estúdio, das bandas por onde passei. O sertanejo que ouvi em casa encontrou tudo isso em mim, e é desse encontro que nasce o meu som.

É de onde vem o meu jeito de enxergar o sertanejo: um conceito, com a minha história dentro.

02 A outra escola · dos 20 aos 32

Antes de viver de música, passei doze anos dentro de empresas.

Passaram pela minha vida grandes empresas, nacionais e multinacionais — Wickbold, Konica Minolta, Bluesoft, entre outras, e sobretudo a TOTVS, onde fui parar no comercial e virei executivo de vendas. Foi ali que aprendi o que a música raramente ensina: vender, posicionar, organizar, conduzir um negócio. Eu ia para a empresa, mas não via a hora de sair para o ensaio — a música sempre gritou mais alto.

Na época, doía: eu gostava do que fazia, mas vivia com medo de nunca conseguir viver de arte. Larguei tudo aos 32, em 2019. Hoje sou grato por cada uma dessas empresas — sem aquela base, eu não faria o que faço. Nada ali foi perdido.

O que parecia um desvio me deu o que à música quase sempre falta: formalidade, processo, método.

03 As bandas · dos 20 aos 28

Dos vinte aos vinte e oito, mergulhei nas bandas — e aprendi o palco por inteiro.

A banda completa, com sopros
Banda tocando em bar
Banda de rock ao vivo
Cantando sob as luzes do palco
Banda em apresentação ao ar livre

Se aos quinze era a garagem, depois dos vinte eu fui atrás do ofício: bandas sérias, músicos mais experientes, bares e baladas de verdade. Enquanto sustentava o corporativo de dia, à noite eu era músico de banda — toquei para dez pessoas e para centenas, sempre como o cara que puxava o repertório e cuidava de cada detalhe do som.

No meio do caminho descobri o John Mayer, e o meu ouvido — que eu já achava bom — ganhou outra régua: groove, sofisticação, emoção sem perder a mão. Como ele tocava e cantava, quis cantar também: foi na minha última banda, a JJ Band, que assumi o vocal principal pela primeira vez. Aprendi ali o ofício do palco — ler plateia, segurar um show, liderar — e senti, na pele, o quanto um projeto assim depende de muita gente remando junto. Quando o sertanejo me chamou, eu já sabia o que fazia.

↳ Anos de banda — bares, casas e grandes palcos · do acervo pessoal

Todas as bandas · anos de palco

As bandas · rock, pop e festa Ampliar
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Banda ao vivo
Arraste

↳ Todas as bandas que passei · arraste e toque para ampliar

Do rock ao sertanejo — registro de palco
04 A transição · do rock ao sertanejo

O sertanejo sempre esteve em mim. Em algum momento, foi só atender ao chamado.

A raiz que vinha da chácara nunca calou. Depois de anos vivendo de rock e de banda, em algum momento o sertanejo que me criou falou mais alto — e eu fui atender ao chamado.

Antes da dupla que me projetou, vieram outras duas formações sertanejas. Foram o meu laboratório — e onde a ficha caiu: o sertanejo que me criou não era só emoção, tinha uma maturidade de mercado que eu nunca tinha encontrado nas bandas. Banda também vira negócio, e bem — só que alinhar quatro ou cinco cabeças no mesmo momento de vida é raro. Amo o que se constrói em equipe e sinto falta disso, mas, com uma sociedade enxuta ou conduzindo eu mesmo, dava para construir, posicionar e levar o projeto inteiro. Era a forma que eu queria.

Quando a dupla certa apareceu, eu já não era um estreante. Sabia o que queria — e como chegar lá.

Ex-duplas · antes de Thiago Melo & Amorim

As primeiras formações sertanejas Ampliar
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Primeira formação sertaneja
Arraste

↳ As primeiras formações sertanejas, antes da dupla · arraste e toque para ampliar

A dupla Thiago Melo & Amorim cantando juntos, em preto e branco

Talento sozinho não se sustenta.

Foi o maior aprendizado da dupla que veio a seguir — e o que me move até hoje.

05 A dupla Thiago Melo & Amorim · 2017 – 2025

Provei a tese — e, no auge, vi tudo ruir.

Pouco antes da pandemia, larguei o corporativo de vez. A dupla Thiago Melo & Amorim, que já corria em paralelo, virou trabalho integral. Mas, como tudo na minha música, não começou no topo.

Foi a escola dos bares outra vez — agora a dois. E bastou um ano: em 2017 a gente afinava o repertório nas noites pequenas e, em 2018, já tínhamos vendido o primeiro casamento, depois o segundo, depois os corporativos — e não parou mais. A diferença para qualquer banda que tive foi o que nenhuma delas sentou para discutir: CRM, tabela de preço, funil de vendas, processo de atendimento. Era o corporativo entrando na música — e um projeto de bar virava, em pouco tempo, evento premium: de marcas como Heineken e Banco do Brasil a casas de alto padrão como a Villa Bisutti e a Terras de Clara.

Aí a pandemia derrubou todos os contratos de uma vez. Da noite para o dia, o palco sumiu — e o que parecia o fim abriu duas das fases mais ricas da minha música: o estúdio e a sala de aula.

A escola dos bares · parte II — agora a dois

A escola dos bares · a dois Ampliar
A dupla nos bares — fase inicial
A dupla tocando, fase dos bares
A dupla ao vivo, noites pequenas
A dupla acústica em bar
A dupla nos bares, sanfona e violão
Arraste

↳ A fase dos bares com a dupla — repertório afinado no detalhe · arraste e toque para ampliar

A virada de chave

Dos bares para os grandes palcos.

O repertório estava afinado, o posicionamento pronto. Bastou o palco crescer — e, com método, ele cresceu rápido.

↳ Eventos premium à frente da dupla Thiago Melo & Amorim · 2017 – 2025 — Heineken, Banco do Brasil, Bradesco, BASF, Syngenta · Villa Bisutti, Terras de Clara, Casa Quintal · agências MCM e The Group.

Silhueta de Thiago Melo contra fundo claro
2020 – 2021 · a pandemia

Então o chão sumiu — e eu tive que escolher de novo.

↳ Produção, arranjo e direção em estúdio · do acervo pessoal

06 Produção musical · o estúdio

Por trás do meu som, anos construindo o som dos outros.

Quando os palcos pararam, o estúdio virou minha casa. Comecei pelas guias — mas tratava cada uma como produção final, e foram mais de duzentas; meu nome começou a circular entre compositores. Não quis viver só de guia: fui para a produção de músicas para lançar, mergulhei no arranjo e descobri que o meu trabalho não era só gravar — era dar direção. Eu não fazia a música do artista; ajudava o artista a achar a verdade dele dentro dela.

Aí veio o paradoxo: eu me importava mais com a música deles do que eles mesmos. Investia em músico de verdade, em mixagem com engenheiro, em processo — e via gente engavetar o resultado por não querer construir, lançar, transformar aquilo em carreira. Doía, porque nunca acreditei em música feita para entregar e esquecer.

Produtor, arranjador, multi-instrumentista: faço no ouvido e na intenção, e a parte mais difícil nunca é gravar — é decidir o que a música quer dizer. De tanto cuidar do som dos outros, comecei a sentir falta do meu. É esse mesmo ofício que hoje me permite produzir a mim mesmo, do arranjo à mixagem, com o mesmo cuidado.

07 Mentoria · Artista CEO

Ensinei artistas a tocar a carreira como uma empresa.

O que eu tinha de mais raro não era a produção — era ter conduzido a minha própria carreira como um negócio: tirei a dupla do show de bar e a levei a contratos que pareciam grandes demais para o nosso tamanho. Foi vendo de perto as dores desses artistas — muito talento, pouca estrutura — que decidi agir. Virou método e virou programa, o Artista CEO, entre mentorias e consultorias: posicionar, vender, lançar, organizar a carreira.

Mas me dei conta de uma ironia: ensinava artistas a se colocarem no centro enquanto tirava a música do meu. Olhando para trás, não foi um fracasso — foi o caminho me acertando. Cada produção e cada mentoria me devolveram, peça por peça, o artista que eu tinha deixado de lado, e me empurraram, inteiro, para a carreira solo — para finalmente fazer o que acredito.

↳ Anos formando artistas — método, posicionamento, direção · acervo pessoal


Construí o som de muita gente — até precisar reconstruir o meu.

Thiago Melo, retrato com violão
08 · O salto · a carreira solo

Fui para o meu nome. E, dessa vez, não dava mais para adiar.

A dupla cumpriu o seu papel: foi a base que me preparou. Caminhos de vida divergiram — como acontece em qualquer sociedade — e seguir sozinho deixou de ser opção para virar o único caminho à altura de tudo o que eu carrego. Busquei parcerias a vida inteira; entendi que só no meu nome cabe tudo de uma vez: o produtor, o diretor, o homem de negócio e o músico — sem pedir licença a ninguém.

Hoje ponho toda a identidade no palco e no que crio — o artista que o estúdio e a sala de aula quase me fizeram esquecer. É a parte mais difícil, e a mais verdadeira.

09 No que eu acredito

Antes da música existir, existe a identidade.

Também sou produtor e diretor artístico — para mim e para outros artistas. Antes de pensar em gravar, pergunto o que se quer dizer, de onde aquilo nasce, qual história está sendo contada. Levo a mesma pergunta para o meu palco.

Cada uma dessas fases — a casa cheia de música, o rock, o estúdio, o palco, as empresas — somou. Nada foi por acaso. Sempre levei a música a sério, mesmo quando era só um sonho de garoto: ela nunca foi brincadeira para mim. É dessa profundidade acumulada que vem o que acredito hoje — o dever de construir algo que toque a alma e fique na memória.

Foi no sertanejo que encontrei o equilíbrio entre o que me move e o que une as pessoas — um gênero que aproxima gerações: o meu avô gostava, eu cresci gostando, e sigo gostando. É aqui que está a minha gente e o gênero que me criou; é aqui que eu construo. E o melhor: dentro do sertanejo cabe o rock que trago comigo, sem descaracterizar nada. Levo tudo o que vivi — as bandas, os outros gêneros — com critério e honrando as raízes, que também são minhas. É o que pretendo somar ao sertanejo: emoção, verdade, música que fica.

Não sonho em ser o próximo grande nome. Sonho que a música seja boa o bastante para chegar a lugares bons e ficar com quem ouve — e que quem me contrata perceba o artista inteiro que está levando: alguém pronto para o próximo nível.


Em tempos rasos, escolho a profundidade.

Da história ao som

E é assim que tudo isso vira música.

Teaser do show de Thiago Melo Teaser · curadoria e direção

↳ Por enquanto, o show — interpretações que carrego comigo. As canções autorais já estão em processo; é o que vem a seguir.

O caminho daqui pra frente · Lado A / Lado B

Os palcos me sustentam hoje. A obra é o destino.

Nos palcos, uso a minha arte para servir — eventos corporativos, sociais, celebrações — e é ali que encontro as pessoas. Em troca, eles sustentam a carreira e me dão o tempo de construir o que vai ficar: produções, versões, conteúdo e, em breve, canções autorais. Um financia o outro, e os dois caminham juntos.

É o mesmo método que passei anos ensinando, agora aplicado em mim: carreira como construção, não como sorte.


Se você chegou até aqui, talvez a gente fale a mesma língua.

Não tenho nada a vender nesta página. Mas, se a música certa pode tornar o seu momento maior, vai ser um prazer conversar.

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